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Com parceiros de Piazzolla na programação, Oficina homenageia ícone argentino

No ano do centenário de nascimento de Astor Piazzolla, o compositor e instrumentista que revolucionou o tango será o grande homenageado da 38ª Oficina de Música de Curitiba. Ao inovar o gênero musical sinônimo de Argentina, Piazzolla entrou para o rol dos grandes nomes da música internacional. 

A Oficina, que este ano será majoritariamento virtual por conta da pandemia, começa no dia 17/1 (próximo domingo), e terá a participação de músicos que conviveram com o ídolo argentino. 

Um deles será o maestro, compositor e bandoneonista Daniel Binelli. Integrante do Sexteto Piazzolla a partir de 1989, o músico tem mais de 50 anos de carreira.

“Com sua estética e sua luz, Piazzolla influenciou e segue influenciando as novas gerações de músicos”, disse Binelli, que começou a ouvir e a ser influenciado musicalmente pelo mestre ainda menino. “Ele é universal e contemporâneo”, destaca.

Binelli se apresenta, direto de Buenos Aires, na abertura do evento em Curitiba, no domingo às 20h. O concerto pode ser acompanhado pelo canal do Youtube da Oficina ou pelo site.

Outro artista que faz parte da programação é o neto do homenageado, Daniel Pipi Piazzolla, baterista da banda Escalandrum. O grupo tem mais de 20 anos de estrada e foi formado sete anos depois da morte do avô de Pipi, desenvolvendo uma carreira mais ligada ao jazz.

Pipi foi considerado por três anos o melhor baterista da Argentina. Ele fará uma performance ao vivo no dia 24/1 (domingo), às 20 horas. A apresentação, de Buenos Aires, também poderá ser acompanhada pelo  Youtube e pelo site do evento.

Piazzolla e o Novo Tango

O artista homenageado este ano pela Oficina de Curitiba é um dos mais importantes músicos do cenário internacional.

Astor Piazzolla nasceu em Mar del Plata, em março de 1921, e morreu em Buenos Aires, em julho de 1992, aos 71 anos, quando lutava contra as sequelas de um acidente vascular cerebral sofrido dois anos antes. O problema de saúde interrompeu uma carreira de mais de cinco décadas e 64 discos gravados com músicos de todo o mundo.

Piazzolla fez e continua fazendo, quase três décadas depois de morto, muito sucesso. Mas enfrentou críticas no início da carreira, justamente por um dos motivos que o tornaram um ícone da música mundial: as inovações que fez no tango, estilo originado no século 19.

Influenciado pelo jazz com que teve contato nos Estados Unidos – país onde viveu com a família dos 3 aos 16 anos – Piazzolla levou novas harmonias ao tango, temas inovadores, mais elaborados e ares sinfônicos. De música para dançar, o estilo se tornou também música para ouvir, inclusive para ouvidos exigentes.

A dramaticidade ganhava sofisticação: surgia o Novo Tango.

O menino e Gardel

A relação entre Piazzolla e o tango começou muito cedo. Conheceu Carlos Gardel em Nova York, no começo da adolescência. Em meados dos anos 30 do século passado, o jovem Astor começou a tocar bandoneon – instrumento que ganhou do pai, fã ardoroso de tango e de Gardel.

Foi convidado para fazer uma ponta no filme “El día que me quieras”, estrelado pelo astro mais velho (interpretou um pequeno jornaleiro).

De volta à Argentinam, em 1937, a família de Piazzolla se instalou em Buenos Aires. Apesar das poucas posses, os pais Vicente e Asunta incentivaram a educação musical do filho, que foi para a Europa estudar e desenvolver sua sofisticada técnica.

A gratidão pelo esfoço dos pais veio na forma de música. Um de seus maiores sucessos de Piazzolla, Adiós Nonino, foi escrita em 1959, em homenagem ao pai que acabara de morrer.

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