Campanha enfatiza vantagens para clientes e empreendedores

 

Valorizar o comércio do bairro beneficia o comerciante local e favorece muito o comprador. É assim que pensa o comerciante Nelson Gomes, dono de uma loja de jalecos no bairro Bacacheri e que prioriza os negócios próximos de casa.

“Temos um shopping ao ar livre, com variedade de produtos e ótimos preços. Comprando dos vizinhos evitamos os deslocamentos que neste momento nos colocam em risco devido a pandemia” diz o comerciante.

A defesa de Gomes ao comércio local é mote usado pela Prefeitura na campanha Compre no Bairro, que incentiva o consumo perto de onde as pessoas moram ou trabalham. O objetivo é apoiar pequenos empreendimentos locais.

A campanha também serve para desestimular as saídas mais longas e reforça o distanciamento social, necessário para conter a transmissão da covid-19.

“Adquirir bens e serviços na nossa região só tem benefícios, investimos na valorização de nossos bens, é um ciclo”, diz Gomes.

Para adquirir uma roupa que precisava, caminhou poucos metros para chegar até uma das lojas mais tradicionais da Avenida Erasto Gaertner. “Sempre privilegio o bairro”, completa.

Clientes fiéis

Com 34 anos de funcionamento, a loja Emanuelle Motta tem ampla variedade de produtos para o vestuário masculino, feminino e infantil. Os clientes são fiéis, a maioria é do bairro, assim como boa parte dos funcionários.

Essa proximidade, aliada a estratégias de vendas, como as malas com produtos levadas em domicílio, tem ajudado o estabelecimento a superar o atual momento.

“Esse apoio da Prefeitura por meio da campanha é fundamental para reforçar esse vínculo das pessoas com o local onde vivem. Quem já é cliente fideliza e quem não conhece tem a oportunidade de experimentar”, diz o proprietário da loja, Aparecido Dias da Mota.

Para o lojista, incentivar as pessoas a consumir localmente é uma medida que impacta positivamente, tanto na economia da cidade quanto no esforço para barrar o avanço da pandemia.

“As pessoas não precisam de transporte e se expõe menos aos riscos de contaminação e o relacionamento de confiança nos permite reforçar com a clientela os protocolos de segurança como o uso da máscara, segui o distanciamento social”, conta Mota.

Preços vantajosos

O aposentado Jorge Gomes de Oliveira, morador do Boa Vista há 20 anos, faz questão de priorizar os comerciantes do bairro.

“Não precisa sair daqui as opções são diversas, é mais cômodo e mais seguro e quanto aos preços também é vantagem. Não temos gastos com viagens e frete, além disso, o pós-venda é bem mais acessível quando compramos perto”, diz Gomes.

Outro benefício dessa relação, argumenta o aposentado, é o investimento no bem-estar.

“Tem a amizade com os comerciantes que já é antiga e cria relação de confiança, além do exercício que eu faço caminhando para ir de um estabelecimento ao outro”, conta Oliveira.

Potencial do bairro

Enedina Marconi é proprietária de uma loja de produtos naturais na Rua Estados Unidos, no Bacacheri. Divulgar o potencial comercial do bairro, diz ela, é um apoio importante que o município dá ao setor.

“Por mais que tenhamos os clientes fiéis ainda há pessoas que desconhecem os estabelecimentos que têm próximos de sim que podem render tranquilidade de produtos, maior segurança por evitar grandes deslocamentos, além de ajudar a aquecer o mercado e gerar novos empregos na região”, avalia Enedina.

Como funciona

A campanha divulga o site comprenobairro.curitiba.pr.gov.br, onde as pessoas encontram os pequenos comerciantes estabelecidos na sua região pelo tipo de serviço que procuram, em 26 categorias, como: salões de beleza, restaurantes, roupas, padarias, barbearias, brinquedos, pet shop, açougue, farmácias, entre outros.

Os comerciantes que ainda não aparecem na pesquisa podem incluir seu empreendimento a partir de um link no site que os redireciona para o cadastro no Google. Também podem fazer o download de cartazes da campanha personalizados com o nome do seu bairro.

Pequenos sofrem mais

A campanha Compre no Bairro foi criada para incentivar a retomada econômica dos pequenos negócios. “O microempreendedor sofre mais com os efeitos da pandemia”, explicou Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação S/A.

Curitiba tem 137,2 mil microempreendedores individuais (MEIs) atuando em várias áreas, como salões de beleza, vestuário, panificação, alimentos. As atividades econômicas estão pulverizadas pela cidade, o que auxilia a população a evitar grandes deslocamentos para adquirir produtos e serviços.

“O planejamento urbano favoreceu essa distribuição do comércio. O Ippuc está realizando um novo estudo para impulsionar ainda mais as economias locais”, citou Cris Alessi.

Nesse estudo, o Ippuc mapeia áreas de grande circulação de pessoas e comércio nas dez regionais da cidade, que vão embasar projetos futuros para garantir a segurança, distanciamento social e fomentar o comércio e serviços nessas chamadas centralidades funcionais de Curitiba no pós-pandemia.

Na Regional Boa Vista, são destaques os centros de bairro da Avenida Prefeito Erasto Gaertner e da Rua Alberico Flores Bueno.